Arqueologia no Loteamento Parque da Charqueada
Vamos conhecer o Sítio Charqueada do Carreiros e o Sítio Parque das Charqueadas!
SÍTIO CHARQUEADA DO CARREIROS
A Charqueada do Carreiros, construída no século XIX e de propriedade de Antônio Martins de Freitas, destinava-se à produção de charque — carne salgada e seca. Seu funcionamento dependia do trabalho de pessoas negras escravizadas, submetidas a condições extremamente duras e cruéis.
Fachada da Charqueada em 2013 e atualmente em ruínas. Fonte: Projeto Charqueada e escravidão em Rio Grande, Liber Studium - Laboratório de Arqueologia do Capitalismo da FURG e Archaeos Consultoria em Arqueologia.
O complexo era composto pela casa da família, senzalas onde essas pessoas eram forçadas a viver, currais para o gado, varais destinados à secagem da carne, além de hortas e pomares que complementavam a estrutura da propriedade.
Interior da charqueada e paredes internas construídas em estuque. Fonte: Projeto Charqueada e escravidão em Rio Grande, Liber Studium - Laboratório de Arqueologia do Capitalismo da FURG. Beatriz Valladão Thiesen (2013).
Depois da morte do primeiro dono, a charqueada foi dividida entre os herdeiros e, em poucas décadas, deixou de funcionar como era, se tornando fazenda de arrendamento. Dessa história, hoje só restam ruínas da antiga casa central e os materiais coletados pela equipe, incluindo fragmentos de louça, frascos de vidro e objetos metálicos.
Materiais arqueológicos encontrados e trabalho de campo. Fonte: Archaeos Consultoria em Arqueologia.
A área da antiga charqueada foi doada para a FURG, que transformará o espaço em um Sítio Escola para o curso de bacharelado em Arqueologia.
SÍTIO PARQUE DAS CHARQUEADAS
O sítio arqueológico Parque das Charqueadas é um cerrito, um monte artificial de terra construído por povos indígenas ao longo de toda região entre o norte da Argentina até o Rio Grande do Sul. Normalmente erguidos perto da água, seu uso era variado, podendo servir de espaço de moradia, atividade ritual e marcação na paisagem, criando marcos que poderiam ser vistos ao longe por qualquer viajante.
Sítio Parque das Charqueadas. Fonte: Archaeos Consultoria em Arqueologia.
Até o momento foi realizada apenas uma intervenção, na forma de quadra de 1x1 metro, permitindo verificar a estrutura e conteúdo do sítio sem afetar o registro e permitir pesquisas futuras.
Trabalho arqueológico no Sítio Parque das Charqueadas. Fonte: Archaeos Consultoria em Arqueologia.
Ao total, foram encontrados mais de 200 materiais arqueológicos, como pedaços de cerâmica, coquinhos, dentes de peixe e conchas.
Pedaços de cerâmica, conchas e dentes de peixe encontrados. Fonte: Archaeos Consultoria em Arqueologia.
As cerâmicas são especialmente significativas. Foram coletados ao total nove fragmentos, a maioria próxima a superfície, mas alguns surgindo em até cerca de 50 centímetros de profundidade.
Não foi possível determinar a técnica de construção em todas as peças, devido ao desgaste causado pela passagem do tempo. Nos fragmentos mais bem preservados, foi identificado o roletado, que é a criação das vasilhas por meio de pequenos rolinhos de argila moldados com os dedos. Quanto ao uso, as cerâmicas provavelmente teriam sido recipientes para cozinhar e guardar alimentos ou bebidas.
Cada um dos materiais encontrados, indígenas ou históricos, nos conta um pouco do passado da nossa região. São parte de nossa história e memória e por isso devem ser valorizados e preservados.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NAS ESCOLAS
As atividades de Educação Patrimonial relacionadas aos dois sítios arqueológicos foram realizadas com os alunos das turmas do 5º ano da E.M.E.F. Prof. João de Oliveira Martins, localizada no Bairro Castelo Branco, e do 4º ano da E.M.E.F. Prof. Valdir Castro, no Bairro Santa Rosa, ambas próximas aos sítios.
A primeira atividade foi uma palestra, onde foi possível dialogar com os alunos sobre o trabalho desenvolvido pela equipe da Archaeos e apresentar alguns dos materiais arqueológicos encontrados, demonstrando a importância dos vestígios para compreender o passado da nossa região.
Palestra na escola Prof. João de Oliveira Martins. Fonte: Archaeos Consultoria em Arqueologia.
Outra atividade foi a oficina de cerâmica, onde os estudantes conheceram as técnicas utilizadas pelos povos indígenas que habitaram a região no passado para a produção de cerâmicas. Inspirados pelos fragmentos de cerâmica encontrados no sítio, confeccionaram suas próprias peças usando a técnica do roletado, na qual pequenos rolinhos de argila são moldados e unidos com os dedos para dar forma às vasilhas.
Oficina de cerâmica com os estudantes da escola Prof. João de Oliveira Martins. Fonte: Archaeos Consultoria em Arqueologia.
Essas atividades aproximam as novas gerações do passado da nossa região, valorizando o patrimônio arqueológico e a história e memória dos povos indígenas.